segunda-feira, 1 de março de 2010

Crescimento é mudança


Não há mudança que não produza insegurança. Aprendemos isto desde a infância. A criança anseia pela adolescência. A juventude questiona sobre sua vida adulta. A terceira idade é incerta sobre o porvir. A recíproca é verdadeira. A própria insegurança também é um fator que leva à necessidade da mudança. Pelo menos é o que dizem as mais aceitas teorias de administração de empresas, como a pirâmide de necessidades de Maslow [1]. Além das necessidades fisiológicas básicas, o segundo fator citado por Maslow é a necessidade do ser humano viver num ambiente de segurança, proteção e, por fim, a estabilidade. Gostamos de estabilidade. É mais confortável.


Temos então esta teoria conspira contra nós e impede nosso crescimento. Nosso íntimo deseja que sejamos diferentes. Mas nosso instinto deseja que sejamos os mesmos. Até que algo diferente ocorra em nossas vidas, ou ainda, até que alguém mexa no nosso queijo [2].


Pelo menos foi isso o que aconteceu com a igreja do 1o século. Tudo ia de vento em popa. O conhecido apóstolo Pedro pregou pela primeira vez e 3000 passaram a fazer parte da igreja [3]. Pregou novamente e o número se elevou a 5000 membros [4]. Fantástico! E a igreja estava organizada. Os apóstolos, ao verificarem a perda de um de seus integrantes, o traidor Judas, prontamente o substituíram por Matias [5]. Os processos eram perfeitos. Diáconos foram instituídos de modo a fazer fluir os trabalhos da igreja e articular seus bens e finanças [6].


Até que mexeram no queijo da igreja. E o Dr. Rato era bem conhecido: Saulo, o matador de crentes. A perseguição era ferrenha. A ratazana entrava nas casas e colocava na prisão aqueles que se denominassem discípulos de Jesus Cristo. E não era somente isso. Os que demonstrassem alguma resistência e tentassem se explicar, eram mortos com a aprovação do matador [7], como foi o caso do diácono Estêvão.


Parece que tudo ruiu. O que parecia tão seguro e estável foi desfeito por uma perseguição movida pela fé. A então estruturada oragnização passou de 5000 membros para 12 membros num piscar de olhos. Seus membros foram obrigados a se mudar para as regiões periféricas de Israel.


Mas algo intrigante aconteceu. À medida que os discípulos se espalharam, a abrangência da igreja aumentou. Mais pessoas foram alcançadas. Mais doentes foram curados. Mais vidas foram impactadas com a mensagem do evangelho. Houve felicidade [8]. A igreja cresceu.


Aprendemos algumas lições importantes nesta passagem das escrituras:

  1. Não há crescimento para uma igreja, ou outra organização qualquer, sem que haja uma mudança em suas estruturas. Posso mudar minha casa reformando-a. Mas se quero uma casa maior, preciso remover algumas estruturas e colocá-las mais distantes.
  2. Crescimento gera desconforto. Para que eu cresça, preciso estar disposto a sair de minha região de conforto. Levantar do sofá. Mudar de cidade. Talvez, até mesmo estar disposto a dar a minha vida por uma causa que valha a pena.
  3. Não encontre culpados quando algo de ruim lhe acontecer. Entenda os problemas como uma oportunidade para crescer. Se a igreja tivesse lutado contra o tal Saulo matador, teria lutado contra aquele que se tornou o maior pregador do cristianismo que a terra já viu desde sua fundação.

[1] MASLOW, A.B. - Teoria de hierarquia de necessidades do ser-humano

[2] JOHNSON, S. - “Quem mexeu no meu queijo?” - Record Editora

[3] Atos 2:41

[4] Atos 4:4

[5] Atos 1:15-26

[6] Atos 6:3-7

[7] Atos 7:60 - 8:1

[8] Atos 8:6-8